
Uma loja com aproximadamente trinta anos de história não precisa necessariamente ser substituída por uma ideia completamente nova.
Às vezes, ela precisa ser atualizada sem deixar de parecer a mesma loja que o bairro aprendeu a conhecer.
É exatamente essa tensão que torna a história da Casa das Rações, em Montes Claros, interessante.
No dia 27 de agosto, a empresária Cláudia Fernandes Antunes e Souza foi anunciada como uma das finalistas mineiras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, na categoria Pequenos Negócios.
Cláudia assumiu a Casa das Rações em 2025 depois de 23 anos trabalhando na indústria farmacêutica veterinária.
Desde então, o negócio recebeu novo layout, automação de sistemas, ampliação do mix de produtos e mudanças na forma de se relacionar com os clientes.
É uma história positiva.
Mas ela também toca numa pergunta que muitos pequenos varejistas brasileiros estão tentando responder:
Como modernizar uma loja de bairro sem destruir justamente aquilo que faz o cliente preferir uma loja de bairro?
O cliente ainda gosta da loja física
O crescimento do comércio digital pode dar a impressão de que o pequeno pet shop precisa abandonar o balcão e correr para a internet.
Os dados contam uma história mais interessante.
Uma pesquisa da CVA Solutions publicada em 2026 mostra que pet shops de bairro continuam sendo o principal canal de compra para 35,9 por cento dos responsáveis por cães e 30,5 por cento dos responsáveis por gatos.

Isso é uma vantagem enorme.
O pequeno pet shop ainda tem proximidade.
O cliente conhece a loja.
Pergunta sobre uma ração.
Comenta sobre o cachorro.
Pede uma indicação.
Volta porque fica perto de casa.
Ao mesmo tempo, o digital está avançando.
No mesmo levantamento, lojas online já aparecem como principal canal para 7 por cento dos responsáveis por cães e 9,4 por cento dos responsáveis por gatos.
O futuro, portanto, não precisa ser físico ou digital.
Pode ser físico com digital.
Comece pelo que o cliente compra repetidamente
Ração é um ótimo exemplo.
O cliente não compra uma vez na vida.
Ele volta.
Isso significa que o pequeno pet shop tem uma oportunidade que muitos outros tipos de varejo não possuem: recorrência relativamente previsível.
A pergunta passa a ser:
Por que obrigar esse cliente a começar a compra do zero todo mês?
Uma loja pode facilitar a recompra.
Pode permitir pedido pelo site.
Pode mostrar as marcas disponíveis.
Pode criar um sistema simples para o cliente solicitar novamente o produto que costuma comprar.
Pode oferecer entrega local quando isso for operacionalmente possível.
Pode lembrar serviços que precisam ser marcados.
Pode integrar banho e tosa, acessórios e outros produtos à mesma experiência.
Isso não elimina o atendimento pessoal.
Pode liberar tempo para ele.
Modernização não significa virar uma megastore
Existe uma armadilha comum quando um pequeno varejista olha para grandes concorrentes.
Ele tenta copiar tudo.
Catálogo enorme.
Promoções constantes.
Aplicativo.
Programa complexo de pontos.
Entrega em todo o país.
Nem sempre isso faz sentido.
A Casa das Rações é interessante justamente porque sua transformação descrita pela imprensa envolve modernização do negócio existente.
Layout.
Sistemas.
Mix.
Relacionamento.
Esse raciocínio também serve para um website.
Um pet shop de bairro não precisa necessariamente competir nacionalmente com Petz, Cobasi, Amazon ou Mercado Livre.
O site pode atender muito bem cinco necessidades locais:
mostrar o que a loja oferece;
facilitar contato;
permitir pedidos ou encomendas;
apresentar serviços;
e tornar a recompra mais simples.
O digital já movimenta bilhões no setor
Dados do mercado pet brasileiro mostram que o comércio eletrônico deve movimentar aproximadamente R$ 6,91 bilhões em 2026, correspondendo a cerca de 8,5 por cento do faturamento do setor. Pequenos e médios pet shops já participam desse mercado digital.
Isso não significa que cada loja precise abrir amanhã um grande e-commerce nacional.
Significa que o comportamento do consumidor já atravessa os dois ambientes.
A pessoa pode pesquisar online e comprar na loja.
Pode conhecer a loja fisicamente e depois pedir online.
Pode perguntar no WhatsApp e retirar no balcão.
Pode marcar um serviço pelo telefone e depois procurar preços no site.
O cliente não pensa em “estratégia omnichannel”.
Ele pensa:
Qual é a forma mais fácil de resolver isso agora?
Um bom website deve respeitar essa simplicidade
Para uma loja de bairro, a primeira versão digital pode ser bastante objetiva.
Produtos ou categorias principais.
Serviços.
Horários.
Localização.
WhatsApp.
Formas de pedido.
Entrega ou retirada.
Informações que reduzem perguntas repetitivas.
Depois, se o volume justificar, a operação pode avançar para uma loja online estruturada.
A Loja Online da Quiet Star Studio foi pensada justamente para negócios que precisam vender produtos, serviços ou reservas com uma jornada mais clara.
Mas tecnologia só vale a pena quando melhora a operação.
A história de Cláudia e da Casa das Rações mostra uma modernização que parte de um negócio já existente.
Esse talvez seja o ponto mais útil para outros pequenos comerciantes.
Você não precisa abandonar o que funciona para evoluir.
Precisa descobrir o que o cliente ainda valoriza e tornar essa experiência mais fácil.
No balcão.
No celular.
E entre uma compra e a próxima.
Seu pet shop facilita a próxima compra?
Marque o que um cliente frequente consegue fazer hoje sem depender de começar a conversa do zero.